A MediaTek apresentou o Dimensity 9600 Pro, o seu primeiro processador para smartphones produzido com a tecnologia de 2 nanómetros da TSMC. O chip destina-se a modelos Android de topo e deverá estrear-se em equipamentos da Oppo e da Vivo, embora ainda não existam preços nem datas de chegada à Europa.
A passagem para 2 nm não garante, por si só, um telemóvel mais rápido ou com maior autonomia. Indica que os transístores podem ser mais pequenos e eficientes, mas o resultado final dependerá do desenho de cada equipamento, da refrigeração, da bateria e do software. Os números divulgados nesta fase são testes e estimativas da própria MediaTek, não medições independentes em produtos vendidos ao público.
Mais desempenho com menor consumo
O Dimensity 9600 Pro usa uma CPU com oito núcleos de alto desempenho, incluindo dois núcleos principais que podem chegar aos 4,55 GHz. A MediaTek afirma que o desempenho aumenta 17% num só núcleo e 15% com vários núcleos face à geração anterior. A alegação mais expressiva é uma redução de 61% no consumo durante testes com vários núcleos.
Na parte gráfica, a empresa promete mais 27% de desempenho máximo, consumo 24% inferior nesse ponto e melhorias no ray tracing. O processador também suporta memória LPDDR6 e armazenamento UFS 5.0. Estas tecnologias podem tornar aplicações e jogos mais rápidos, mas exigem componentes compatíveis escolhidos pelo fabricante do telemóvel.
O anúncio surge poucas semanas depois de a Xiaomi apresentar o seu processador Xring O3 para futuros telemóveis. A diferença material é que a MediaTek fornece chips a várias marcas e já confirmou a plataforma de 2 nm, enquanto o impacto real de ambos só poderá ser comparado quando existirem equipamentos finais e testes equivalentes.
Câmaras, jogos e processamento local
O novo processador suporta gravação de vídeo em 4K a 120 fotogramas por segundo e câmara lenta em 4K a 240 fotogramas por segundo. Integra ainda um novo processador de imagem, responsável por tratar dados das câmaras, e duas unidades dedicadas a tarefas de inteligência artificial executadas no próprio equipamento.
A MediaTek diz que estas unidades podem melhorar fotografia computacional, assistência local e modelos generativos sem enviar todo o processamento para a nuvem. A presença de IA, porém, não é a razão principal para escolher este tema: a mudança relevante para o consumidor está na combinação de eficiência, desempenho e capacidades de câmara que poderá chegar aos próximos Android de topo.
As promessas continuam sujeitas a validação. Um chip capaz de atingir valores elevados durante períodos curtos pode ter resultados diferentes num corpo fino, com temperaturas altas ou com limites definidos pelo fabricante. Autonomia, aquecimento e desempenho sustentado só ficarão claros após testes independentes.
Que telemóveis vão usar o novo chip
A Oppo confirmou o Dimensity 9600 Pro para o Find X10 Pro Max e a Vivo para o X500 Pro. A MediaTek também apresentou o Dimensity 9600M, produzido em 3 nm e pensado para uma faixa mais ampla de modelos de topo. Não foram anunciados preços, versões europeias ou calendários detalhados.
Para quem pretende comprar um smartphone agora, o anúncio não justifica adiar automaticamente a decisão. Os primeiros equipamentos poderão oferecer ganhos importantes, mas também chegar a preços elevados. O mais prudente é esperar por disponibilidade em Portugal, análises de autonomia e temperatura, e comparações com os processadores rivais da Apple, Qualcomm e Xiaomi.
O Dimensity 9600 Pro é, por isso, uma confirmação tecnológica relevante, não uma recomendação de compra. A produção em 2 nm aproxima os Android de uma nova geração de chips, mas o benefício só contará quando aparecer em telemóveis concretos e se mantiver durante utilização real.
