Paramount negoceia acordo para desbloquear compra da Warner

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A Paramount está em negociações avançadas com autoridades da Califórnia para tentar resolver o processo que bloqueia a compra da Warner Bros. Discovery. O desenvolvimento, divulgado a 18 de setembro, pode remover um dos últimos grandes obstáculos à operação, mas não significa que exista já um acordo assinado.

A transação juntaria alguns dos maiores ativos mundiais de cinema, televisão e streaming. Do lado da Paramount estão marcas como CBS, Paramount Pictures e Paramount+. A Warner Bros. Discovery acrescentaria HBO, Max, CNN, Warner Bros., DC e várias franquias de entretenimento. O valor referido varia consoante a métrica: cerca de 81 mil milhões de dólares para a operação e quase 111 mil milhões quando é incluída a dívida.

Que condições estão em discussão

Segundo a Reuters, as conversações incluem a possibilidade de supervisão independente dos conteúdos da CNN e compromissos sobre o número de filmes lançados nas salas de cinema. Os termos ainda podem mudar e nem a Paramount nem o Departamento de Justiça da Califórnia confirmaram publicamente o conteúdo das negociações.

A Califórnia lidera um grupo de 12 estados que processou as empresas em julho. O argumento central é que a combinação pode reduzir a concorrência no cinema e na televisão por cabo, facilitar aumentos de preços e diminuir as opções disponíveis. A Writers Guild of America também apresentou uma ação, receando pressão sobre salários e condições de trabalho dos profissionais do setor.

A Paramount tem um incentivo financeiro forte para acelerar o processo. A partir de 30 de setembro, ficará sujeita a um pagamento diário de sete milhões de dólares aos acionistas da Warner Bros. Discovery enquanto a compra não for concluída.

O impacto possível no streaming

Para quem usa serviços de streaming, a principal questão é a concentração. A nova empresa reuniria catálogos, direitos desportivos, estúdios e canais que hoje competem entre si. Essa escala pode ajudar a enfrentar Netflix e Disney, financiar produções maiores e reduzir custos duplicados. Também pode levar a menos concorrência na definição de preços, na compra de direitos e na encomenda de novas séries e filmes.

Ainda não foi anunciado qualquer plano para juntar Paramount+ e Max, alterar preços em Portugal ou reorganizar os catálogos. Qualquer previsão nesse sentido seria prematura. O efeito inicial é empresarial e regulatório, não uma mudança imediata nas aplicações ou assinaturas dos utilizadores.

O controlo editorial é outro ponto sensível. A eventual supervisão independente da CNN procura responder a receios sobre a influência que a nova administração poderia exercer numa rede noticiosa global. É uma condição pouco habitual numa fusão de entretenimento e mostra que o processo envolve mais do que dimensões financeiras.

A compra continua longe de garantida

A operação já recebeu várias autorizações. A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos aprovou a participação económica indireta de fundos soberanos da Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos, sem direitos de voto. Segundo a Associated Press, estes investidores comprometeram cerca de 24 mil milhões de dólares para financiar a compra.

A aprovação não encerra, contudo, o conflito com os estados e com os argumentistas. Um eventual entendimento com a Califórnia teria de abranger as preocupações dos restantes participantes ou deixar questões para o tribunal. O julgamento antitrust está previsto para março e a Paramount comprometeu-se a não concluir a transação enquanto o processo estiver pendente.

O ponto essencial é que as negociações avançaram e podem produzir um acordo em breve, mas as condições não são definitivas. Até existir confirmação oficial, a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount deve continuar a ser tratada como uma operação proposta, sujeita a decisões judiciais e compromissos regulatórios.

Fontes: Reuters · Wall Street Journal · Associated Press

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