WhatsApp testa alerta contra burlas sem ler mensagens

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O WhatsApp começou a testar um alerta opcional que tenta identificar mensagens associadas a burlas antes de o utilizador responder. A função chama-se Scam Alert e analisa no próprio telemóvel as mensagens recebidas de números que não estão nos contactos. Quando encontra sinais suspeitos, mostra um aviso privado na conversa, sem informar a pessoa que enviou a mensagem.

A novidade ainda está numa versão beta limitada. A Meta não indicou quando ficará disponível para todos os utilizadores, nem confirmou a sua presença em Portugal. Por isso, não encontrar a opção nas definições não significa que a aplicação esteja desatualizada ou com algum problema. Nesta fase, a empresa está a testar o sistema com um grupo restrito e com investigadores do seu programa de recompensas por falhas de segurança.

Como funciona sem enviar as mensagens

Segundo a explicação técnica publicada pela Meta, o modelo é descarregado para o equipamento e funciona localmente. O conteúdo usado na classificação não sai do telemóvel e nenhuma suspeita é comunicada automaticamente ao WhatsApp. A empresa recebe apenas métricas agregadas e protegidas para avaliar quantos avisos aparecem e que decisões gerais são tomadas pelos utilizadores.

Se uma conversa for considerada suspeita, o aviso permite bloquear o remetente, denunciá-lo ou continuar a falar. O utilizador também pode marcar a conversa como fiável, o que remove o alerta e impede novos avisos nesse chat. Nesse momento, existe ainda a possibilidade voluntária de partilhar com o WhatsApp as últimas cinco mensagens recebidas, com o objetivo de melhorar a precisão do sistema.

Esta partilha adicional não acontece por defeito. Exige uma escolha expressa do utilizador, tal como uma denúncia normal. A Meta afirma que a classificação local mantém a encriptação de ponta a ponta e que a função pode ser desligada a qualquer momento. Investigadores poderão ainda consultar os modelos publicados e verificar se correspondem às versões instaladas.

O aviso pode enganar-se

O alerta procura padrões linguísticos e a estrutura habitual de conversas fraudulentas, com base em denúncias anteriores. Isso pode ajudar perante mensagens que se fazem passar por familiares, bancos, transportadoras ou empresas conhecidas. No entanto, a classificação é probabilística: pode falhar uma burla bem construída ou assinalar por engano uma conversa legítima.

Mesmo quando o aviso aparecer, a decisão continua a pertencer ao utilizador. Uma mensagem urgente a pedir dinheiro, códigos de confirmação, dados bancários ou instalação de aplicações deve ser verificada por outro canal. Convém ligar diretamente para a pessoa ou entidade, não usar contactos indicados na própria mensagem e evitar abrir ligações antes de confirmar a origem.

O que fazer quando a opção chegar

Quem receber acesso à beta poderá consultar o registo da atividade em Conta, Pedir informações e Scam Alert Activity. Aí ficam indicadas as mensagens analisadas, o resultado e a versão do modelo utilizada. Este histórico ajuda a perceber o motivo do aviso, mas não substitui a denúncia às autoridades quando existe perda de dinheiro, roubo de conta ou exposição de dados pessoais.

A proteção é uma camada adicional e não uma garantia contra todas as burlas. Manter a aplicação atualizada, ativar a verificação em dois passos e desconfiar de pedidos inesperados continua a ser essencial. O principal avanço está em acrescentar contexto no momento em que uma conversa suspeita começa, sem enviar automaticamente o conteúdo privado para os servidores da empresa.

Fontes: Meta · The Verge · BleepingComputer

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