A Apple planeia apresentar oficialmente, na segunda quinzena de fevereiro de 2026, a versão reformulada da Siri com integração de inteligência artificial do Google. A demonstração deverá marcar a transição da assistente para um modelo mais próximo de um chatbot, resultado da parceria entre as duas empresas, e surge após atrasos internos no desenvolvimento da estratégia de IA da Apple.
Uma apresentação para recuperar terreno na IA
Segundo a informação disponível, a apresentação da nova Siri pretende mostrar os primeiros resultados práticos da colaboração com o Google, num momento em que a Apple procura reduzir a distância face a concorrentes como a OpenAI, responsável pelo ChatGPT, e ao próprio Gemini.
A iniciativa surge depois de obstáculos no desenvolvimento interno da assistente, que atrasaram a evolução da Siri no campo da IA generativa. A demonstração prevista para fevereiro deverá ser o primeiro contacto público com esta nova abordagem, ainda antes de um lançamento alargado.
O que muda com a Siri reformulada
A principal mudança está na capacidade de manter diálogos contínuos e contextuais. A nova Siri passa a compreender pedidos encadeados e a responder de forma mais próxima das experiências oferecidas por chatbots avançados.
O sistema, desenvolvido internamente sob o nome de código “Campos”, permitirá uma integração mais profunda com aplicações nativas do ecossistema da Apple. Entre os serviços referidos estão Mail, Música, Fotos e até o ambiente de desenvolvimento Xcode, o que indica uma abordagem transversal a todo o sistema operativo.
A Apple designa esta base tecnológica como Apple Foundation Models na versão 10. De acordo com a informação divulgada, o modelo opera com cerca de 1,2 triliões de parâmetros e, numa fase inicial, será executado nos servidores de computação em nuvem privada da empresa, conhecidos como Private Cloud Compute.
Com a chegada do iOS 27 e do macOS 27, está prevista a transição para a versão 11 da arquitetura, que passará a recorrer diretamente à infraestrutura de nuvem do Google, aumentando a capacidade de processamento disponível para tarefas mais exigentes.
Funcionalidades previstas
A nova Siri deverá introduzir um conjunto de funcionalidades que dependem de raciocínio mais avançado e de cruzamento de dados entre aplicações.
Entre os exemplos mencionados estão a análise de documentos, com a capacidade de resumir ficheiros enviados pelo utilizador, e a edição de conteúdos multimédia através de comandos de voz mais complexos, como recortes ou ajustes de cor em imagens.
Outra área destacada é a gestão de dados pessoais. A assistente passará a localizar e cruzar informações com maior precisão, permitindo pedidos mais elaborados. Na prática, um utilizador poderá solicitar que a Siri encontre um email antigo e elabore uma resposta com base em compromissos guardados na agenda, sem ter de alternar manualmente entre aplicações.
Calendário de lançamento faseado
De acordo com informações avançadas por Mark Gurman, da Bloomberg, a disponibilização da nova Siri será feita de forma gradual. A primeira fase deverá acompanhar o lançamento do iOS 26.4, previsto entre março e abril de 2026.
Nesta etapa inicial, a Siri começará a recorrer ao processamento do Gemini para lidar com tarefas mais complexas. No entanto, a interface visual completa e a arquitetura definitiva da assistente deverão ficar reservadas para o segundo semestre de 2026.
Este calendário sugere uma implementação cautelosa, com funcionalidades a serem introduzidas progressivamente à medida que a integração tecnológica evolui.
Mudança de estratégia e parceria com o Google
A adoção do Gemini representa uma alteração relevante na estratégia de software da Apple. O projeto passou a ser liderado por Craig Federighi, responsável pela engenharia de software da empresa, depois de a administração ter manifestado insatisfação com o ritmo de progresso dos modelos internos.
A parceria com o Google foi formalizada em novembro de 2025, após negociações com outras empresas do setor, como a Anthropic e a OpenAI, não terem avançado. As razões apontadas incluem divergências financeiras e conflitos estratégicos.
Para a Apple, a integração do Gemini é vista como uma solução de curto prazo para disponibilizar funcionalidades competitivas em IA generativa, enquanto continua a desenvolver e a amadurecer a sua própria infraestrutura e modelos internos.
