O Manic é um novo malware para Android que combina fraude bancária, espionagem e controlo remoto do telemóvel. Segundo a ThreatFabric, está ativo pelo menos desde fevereiro de 2026 e já foi usado em ataques reais, com maior incidência na Ucrânia. A lista de aplicações monitorizadas inclui, porém, serviços financeiros e de identidade digital usados noutros países europeus, no Reino Unido e noutras regiões.
Depois de instalado, o Manic tenta obter acesso às funções de acessibilidade e às notificações. Essas permissões podem permitir que leia o que aparece no ecrã, interaja com aplicações, capture códigos de autenticação e recolha dados como PIN, palavras-passe, mensagens, contactos, ficheiros e localização. O malware também pode mostrar ecrãs falsos sobre aplicações legítimas para enganar a vítima e recolher credenciais.
O que torna o Manic diferente
A característica mais invulgar é um sistema de retransmissão entre equipamentos já infetados. Quando um telemóvel perde o acesso à Internet, o Manic pode tentar enviar dados através de outro dispositivo comprometido que esteja por perto, usando Wi-Fi Direct ou Bluetooth. A investigação descreve uma cadeia que pode chegar a quatro saltos.
Isto não significa que o malware passe automaticamente para qualquer telemóvel próximo. Para participar nessa rede, os outros equipamentos também têm de estar infetados. A proximidade serve para transportar informação roubada, não como prova de um novo método de contágio por Bluetooth ou Wi-Fi.
A forma exata como todas as vítimas estão a receber o Manic ainda não está completamente estabelecida. A cobertura disponível aponta para páginas de phishing e aplicações falsas que imitam utilitários, mas não permite concluir que exista um único canal de distribuição. Esta distinção é importante: o risco é real, mas não justifica assumir que todos os utilizadores Android estão expostos da mesma maneira.
Como reduzir o risco no Android
A medida mais importante é evitar ficheiros APK enviados por mensagens, anúncios ou páginas desconhecidas. As aplicações devem ser instaladas a partir de fontes oficiais, mantendo o Google Play Protect ativo. Mesmo numa loja legítima, vale a pena confirmar o nome do programador, as avaliações e a coerência entre a função prometida e as permissões pedidas.
Um utilitário simples não precisa, em regra, de controlar todas as ações do ecrã, ler notificações ou aceder a SMS, chamadas e contactos. Um pedido de acesso à acessibilidade deve ser tratado com especial cuidado, porque esta função dá capacidades muito amplas a uma aplicação.
Se o telemóvel apresentar ecrãs inesperados sobre aplicações bancárias, pedidos repetidos de permissões, consumo anormal de bateria ou atividade que não reconhece, desligar apenas os dados móveis pode não impedir a retransmissão descrita pelos investigadores. O mais seguro é remover aplicações suspeitas, executar uma verificação de segurança e alterar palavras-passe a partir de outro dispositivo limpo.
Quem tiver introduzido credenciais bancárias ou códigos num ecrã suspeito deve contactar o banco, rever movimentos recentes e terminar sessões abertas. Também convém atualizar o Android e as aplicações, embora uma atualização, por si só, não remova necessariamente uma aplicação maliciosa já instalada.
O que ainda falta esclarecer
A ThreatFabric associa o Manic a uma campanha ativa e documenta as suas capacidades técnicas. Ainda assim, não há números públicos que permitam medir quantos equipamentos foram afetados, nem confirmação de uma campanha dirigida especificamente a Portugal.
A conclusão prática deve, por isso, ser equilibrada: o Manic demonstra que um telemóvel comprometido pode continuar a exfiltrar dados através de outros dispositivos infetados nas proximidades. Não demonstra que estar junto de um aparelho atacado seja suficiente para instalar o malware. A prevenção continua a depender sobretudo da origem das aplicações, das permissões concedidas e de uma reação rápida perante sinais suspeitos.
Fontes: ThreatFabric · BleepingComputer · The Hacker News
