Uma power bank pode viajar consigo no avião, mas não deve ser tratada como qualquer outro objeto eletrónico. As baterias externas são consideradas baterias de lítio sobresselentes e, por isso, têm regras próprias para a bagagem, a capacidade e a utilização a bordo.
Em 2026, a orientação internacional tornou-se mais restritiva: o limite geral passou a ser de duas power banks por passageiro e as companhias podem impor condições adicionais. Na TAP, cada unidade tem de ficar até 100 Wh, viajar na cabine e permanecer guardada durante todo o voo.
A regra principal: cabine, nunca porão
A power bank deve ir na bagagem de mão. Não pode seguir numa mala despachada para o porão, mesmo que tenha pouca capacidade ou esteja desligada. A razão é simples: se uma bateria aquecer, libertar fumo ou incendiar-se, a tripulação consegue detetar e responder ao problema na cabine. No porão, a intervenção é muito mais difícil.
Esta regra também se aplica quando a bagagem de mão é recolhida à porta do avião por falta de espaço. Antes de entregar a mala, retire a power bank e leve-a consigo. O mesmo cuidado é útil para baterias sobresselentes de câmaras, drones e outros equipamentos.
A IATA recomenda transportar cada bateria na embalagem original ou numa bolsa protetora. Se existirem terminais expostos, devem ser isolados com fita adesiva para evitar um curto-circuito. Não guarde a bateria solta com chaves, moedas ou outros objetos metálicos.
Quantas power banks pode levar
As regras internacionais atualizadas em março de 2026 limitam o transporte a duas power banks por passageiro. A TAP segue esse limite e acrescenta que cada unidade não pode ultrapassar 100 Wh.
Isto não significa que todas as companhias apliquem exatamente as mesmas condições. Uma transportadora pode proibir a utilização durante todo o voo, exigir que a bateria fique debaixo do assento ou estabelecer regras mais restritivas. Antes de viajar, consulte sempre a página de artigos perigosos da companhia que opera o voo, incluindo os segmentos de ligação.
Na TAP, as power banks devem ficar debaixo do assento da frente ou na bolsa do assento. Não podem ser colocadas no compartimento superior, utilizadas para carregar outro dispositivo nem ligadas à alimentação do avião. A companhia exige ainda embalagem original ou bolsa protetora e proteção dos terminais.
Como confirmar o limite de 100 Wh
A capacidade relevante para a aviação é indicada em watt-hora, abreviada como Wh. Muitos fabricantes mostram apenas miliampere-hora, ou mAh, em letras grandes. Procure a linha técnica da etiqueta, onde normalmente aparecem a tensão nominal e o valor em Wh.
Quando o valor não estiver indicado, pode fazer uma estimativa com esta fórmula:
Wh = mAh x tensão nominal / 1000
Uma power bank de 10 000 mAh com tensão nominal de 3,7 V corresponde a cerca de 37 Wh. Um modelo de 20 000 mAh, nas mesmas condições, ronda 74 Wh. Uma unidade de 27 000 mAh fica perto de 100 Wh. A tensão nominal exata pode variar, pelo que deve usar o valor impresso pelo fabricante e não assumir automaticamente 3,7 V.
Se a etiqueta estiver apagada, incompleta ou ilegível, a companhia pode não conseguir confirmar a capacidade e recusar o transporte. Fotografar a etiqueta antes da viagem ajuda a consultar os dados, mas não substitui uma marcação legível no próprio equipamento.
O intervalo entre 100 e 160 Wh pode ser aceite em algumas situações com autorização prévia da companhia, segundo a orientação geral da IATA. Contudo, a regra específica publicada pela TAP para power banks estabelece um máximo de 100 Wh. Acima de 160 Wh, estas baterias não são normalmente admitidas em aviões de passageiros.
Pode usar a power bank durante o voo?
A regra depende da companhia, mas a tendência é reduzir a utilização a bordo. A EASA recomenda que as power banks não sejam carregadas nem usadas para alimentar outros dispositivos durante o voo. A TAP transforma essa recomendação numa proibição: não é permitido usar ou carregar a bateria externa em nenhuma fase da viagem.
Prepare o telemóvel, tablet ou computador antes de embarcar. Se o avião tiver uma tomada ou porta USB, confirme com a tripulação se pode carregar diretamente o dispositivo. Não use a power bank como intermediária e não a deixe ligada dentro de uma mochila.
Se notar calor anormal, inchaço, cheiro estranho, fumo ou danos na caixa, desligue os cabos e avise imediatamente a tripulação. Não tente arrefecer ou esconder a bateria. Uma power bank danificada não deve ser levada para o voo.
Lista de verificação antes de sair
Confirme estes pontos antes de fechar a mala:
- leve no máximo duas power banks;
- verifique que cada uma tem até 100 Wh;
- mantenha a etiqueta técnica legível;
- transporte-as apenas na cabine;
- proteja terminais e cabos numa bolsa;
- não leve unidades inchadas, rachadas ou que aqueçam sem motivo;
- consulte a regra da companhia que realmente opera cada voo;
- retire as baterias se a mala de cabine for enviada para o porão.
Uma power bank comum de 10 000 ou 20 000 mAh costuma ficar abaixo de 100 Wh, mas a capacidade não é o único requisito. A colocação na cabine, a proteção contra curto-circuitos e a regra de utilização da transportadora são igualmente importantes.
Para quem voa com a TAP, o procedimento é claro: duas unidades no máximo, cada uma até 100 Wh, guardadas debaixo do assento ou na bolsa correspondente e sem utilização ou carregamento durante o voo. Noutras companhias, confirme as condições no momento da viagem, porque podem mudar ou ser mais exigentes do que a regra geral.
Fontes: IATA · TAP Air Portugal · EASA · Reuters
