A Snap apresentou uma nova vaga de funcionalidades para os Specs, os seus óculos autónomos de realidade aumentada. O anúncio de 16 de setembro acrescenta experiências de consumo, ferramentas para empresas e um estojo com ligação móvel, mas não altera o preço base nem confirma uma chegada a Portugal.
Os óculos continuam disponíveis para pré-encomenda por 2.195 dólares, mediante um depósito reembolsável de 200 dólares. A empresa prevê iniciar as entregas no outono nos Estados Unidos, Reino Unido e França. O novo conjunto com o estojo ligado custa 2.395 dólares e ainda não tem preço em euros divulgado para todos os mercados.
O que muda com o novo estojo
O Specs Charging Case with Cellular fornece quatro cargas adicionais e permite manter os óculos ligados fora de uma rede Wi-Fi. A conectividade será assegurada por parceiros locais: Verizon nos Estados Unidos, Orange em França e EE no Reino Unido. A Snap revelou preços mensais apenas para a Verizon, deixando por esclarecer os custos europeus.
Esta solução não transforma os Specs num produto disponível em qualquer país. A marca continua a limitar a primeira fase a três mercados e não anunciou venda, demonstrações ou assistência em Portugal. Em Los Angeles, será possível experimentar o equipamento a partir de 1 de outubro, numa iniciativa chamada Specs First Look.
Os Specs funcionam sem um telefone ou módulo externo, projetando elementos digitais nas duas lentes e aceitando gestos das mãos e comandos de voz. É uma abordagem próxima da realidade mista, que combina o espaço físico com objetos digitais interativos, embora a Snap apresente o produto como óculos de realidade aumentada.
Novas experiências para uso diário
A empresa mostrou tradução com legendas sobrepostas, navegação pedonal, reprodução de vídeo num ecrã virtual e jogos partilhados entre utilizadores. Há ainda integrações anunciadas com Spotify, HBO Max, Shopify, NBA e WNBA. Muitas destas experiências dependem de aplicações e serviços de parceiros, pelo que a disponibilidade pode variar por região.
O evento também apresentou o Specs Intelligence, um assistente que cruza informação de contas escolhidas pelo utilizador e tenta antecipar tarefas relevantes. A Snap afirma que o conteúdo pessoal ligado ao serviço não será usado para treinar modelos nem para publicidade personalizada. Esta promessa não elimina a necessidade de avaliar cuidadosamente as permissões, sobretudo num dispositivo equipado com câmaras, microfones e acesso a contas pessoais.
No lado profissional, a Snap anunciou parcerias com Salesforce, Nvidia, Amazon Web Services, Trifork e Hololight. A intenção é levar instruções, dados e assistência visual a lojas, fábricas e equipas no terreno. O alcance real destas integrações dependerá das aplicações criadas e das políticas de cada empresa.
O hardware ainda tem compromissos
Um teste da The Verge encontrou ideias interessantes, como jogos digitais partilhados sobre uma mesa real, mas também limitações. Os gestos nem sempre responderam à primeira tentativa, os elementos virtuais perderam visibilidade sob luz solar forte e o campo de visão de 51 graus restringiu a experiência. O assistente também se mostrou lento em algumas tarefas.
A Snap inclui uma luz exterior para indicar a captação de imagem ou som e diz que os óculos não gravam continuamente. Ainda assim, o uso de câmaras num formato discreto mantém questões sociais e de privacidade que não se resolvem apenas com um indicador luminoso.
A atualização torna mais clara a proposta dos Specs: um computador de realidade aumentada autónomo, com ligação móvel opcional e um ecossistema em construção. O preço elevado, a disponibilidade limitada e as falhas observadas nos primeiros testes mostram, porém, que esta geração continua longe de ser uma compra comum.
