A Microsoft lançou a atualização de segurança de agosto para o Windows, com correções para centenas de vulnerabilidades. Uma delas merece atenção especial: a CVE-2026-68820 já estava a ser explorada em ataques antes de existir uma correção pública.
A falha afeta o AFD.sys, um componente do Windows ligado às comunicações de rede. Se for explorada com sucesso, permite que um atacante passe de uma conta com poucos privilégios para o nível SYSTEM, que oferece controlo muito elevado sobre o computador.
O risco não significa, contudo, que qualquer pessoa possa assumir o controlo do PC apenas por este estar ligado à Internet. O atacante precisa de ter iniciado sessão localmente ou de já ter conseguido executar código no sistema. A vulnerabilidade funciona como uma segunda etapa: amplia o acesso obtido anteriormente por malware, credenciais roubadas ou outra falha.
A falha foi usada numa campanha real
A Check Point afirma ter observado a CVE-2026-68820 numa campanha atribuída ao grupo Lazarus. Os atacantes usaram falsas oportunidades de emprego e aplicações adulteradas para entrar nos computadores das vítimas. Depois, exploraram a falha do Windows para obter privilégios SYSTEM e instalar um rootkit, software criado para esconder atividade maliciosa no sistema.
Esta sequência ajuda a distinguir o ataque real de uma simples prova de conceito. A vulnerabilidade não era apenas tecnicamente possível: foi incluída numa cadeia de intrusão observada por investigadores. A campanha analisada estava sobretudo orientada para organizações dos setores da defesa, aviação e aeroespacial, na Europa e na Índia.
Para um utilizador doméstico, a conclusão prática não é entrar em pânico, mas instalar a atualização e manter cautela com ficheiros recebidos. Ofertas de emprego inesperadas, visualizadores de PDF desconhecidos e programas descarregados de páginas que imitam marcas legítimas continuam a ser formas comuns de abrir a primeira porta.
A atualização inclui outras correções importantes
O pacote mensal resolve também duas vulnerabilidades que já eram conhecidas publicamente. Uma afeta o serviço de perfis de utilizador do Windows e pode permitir acesso a dados de outra conta ou a privilégios de administrador. A outra está relacionada com o isolamento de contentores.
As contagens totais variam entre análises porque algumas incluem correções publicadas noutros momentos do mês ou produtos adicionais. O ponto relevante para o leitor é consistente: a atualização corrige uma falha explorada, duas falhas divulgadas anteriormente e dezenas de problemas classificados como críticos.
Existem ainda vulnerabilidades graves em componentes usados sobretudo em servidores, como DNS, Windows Deployment Services e SharePoint. Quem gere sistemas empresariais deve seguir as orientações da Microsoft e avaliar quais os serviços expostos. Num computador pessoal, o Windows Update trata da seleção do pacote adequado.
Como confirmar que o computador está protegido
No Windows 11, abra Iniciar, escolha Definições e entre em Windows Update. Selecione Procurar atualizações, instale tudo o que estiver disponível e reinicie o computador quando for pedido. Depois, volte à mesma área para confirmar que não existem atualizações pendentes.
O Windows 10 deixou de receber atualizações gratuitas de segurança em outubro de 2025. Apenas equipamentos abrangidos pelo programa de atualizações de segurança alargadas continuam a receber determinadas correções. Se o computador não está inscrito nesse programa, deve avaliar a passagem para um sistema ainda suportado.
Antes de uma atualização grande, é sensato guardar uma cópia dos ficheiros importantes. Em equipamentos profissionais, a instalação pode ser gerida pela organização e exigir testes prévios. Para os restantes utilizadores, adiar durante muito tempo não é aconselhável, porque já existe exploração confirmada desta falha.
Fontes: Microsoft Security Response Center · BleepingComputer · Krebs on Security · Check Point Research
