O pequeno robô de companhia Eiliko armazenava conversas e dados pessoais num serviço que podia ser consultado sem proteção adequada. A investigação divulgada a 15 de outubro concluiu também que um atacante poderia alterar remotamente a memória e o comportamento do dispositivo.
O problema foi identificado pelo investigador Sammy Azdoufal e demonstrado com uma unidade comprada pelo jornalista Sean Hollister, do The Verge. A análise encontrou cerca de 13 milhões de conversas associadas a 68 mil dispositivos. Segundo os dados observados, mais de 31 mil perfis nos Estados Unidos pertenciam a crianças. Estes números resultam da base de dados examinada pelos investigadores e não foram confirmados pelo fabricante.
Conversas, perfis e ficheiros acessíveis
O Eiliko é um robô portátil que pode conversar através de uma ligação Wi-Fi. De acordo com a investigação coordenada pela AHA!, as falhas não se limitavam a um único dispositivo. O serviço na nuvem permitia chegar a transcrições e a perfis construídos a partir das conversas, com elementos como nome, idade, profissão, relações familiares e estado emocional.
A demonstração mostrou ainda fotografias e pequenos ficheiros de áudio disponíveis através de endereços públicos. A existência de gravações armazenadas contraria a política de privacidade da Energize Lab, segundo a qual o áudio é apagado depois de processado.
Isto não significa que todas as conversas tenham sido roubadas ou usadas por criminosos. Até agora, não há prova pública de uma exploração maliciosa em larga escala. O que ficou demonstrado foi a possibilidade de alguém sem autorização consultar informação sensível e associá-la a contas e dispositivos.
O controlo do robô também estava em causa
O investigador conseguiu alterar à distância a memória usada pelo modelo de linguagem do robô e modificar as suas respostas. Na experiência acompanhada pelo The Verge, o Eiliko passou a inventar detalhes pessoais, a insistir em informação falsa e a produzir linguagem imprópria.
A investigação técnica descreve várias falhas nos serviços na nuvem, nas aplicações e no processo de atualização dos produtos Eilik e Eiliko. Algumas permitiam obter credenciais ou agir como se o atacante fosse um dispositivo legítimo; outras abriam caminho à alteração de ficheiros e configurações.
É uma diferença importante: o caso não se resume a uma conversa enviada para a nuvem. A mesma infraestrutura que guardava informação dos utilizadores podia, segundo os investigadores, ser usada para influenciar o que o robô dizia e fazia.
Fabricante não confirmou uma correção
O jornalista e o investigador afirmam ter tentado contactar a Energize Lab por vários endereços e através do LinkedIn durante semanas. A empresa acusou a receção de uma mensagem, mas não respondeu às questões técnicas nem apresentou uma correção pública antes da publicação da investigação.
A Malwarebytes validou os principais resultados e recomendou que os proprietários desligassem o Eiliko do Wi-Fi enquanto não existir confirmação de que as falhas foram resolvidas. Essa precaução mantém o robô sem as funções de conversa online, mas reduz a exposição ao serviço afetado.
O caso mostra como um brinquedo aparentemente simples pode recolher informação muito mais íntima do que a sua aparência sugere. Para famílias e utilizadores destes robôs, a questão central não é apenas aquilo que o dispositivo consegue dizer, mas onde ficam as conversas e quem pode chegar até elas.









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