O Facebook começou a disponibilizar uma nova forma de controlar as recomendações do Feed e dos Reels. A função chama-se Your Algorithm e permite escrever, em linguagem corrente, os temas que cada pessoa quer ver mais ou menos, em vez de depender apenas dos gostos, comentários e tempo passado em cada publicação.
A Meta afirma que as recomendações respondem de imediato às alterações. A novidade interessa a quem sente que o Facebook insiste em conteúdos pouco relevantes ou continua a mostrar um assunto que já deixou de ter interesse. A empresa não publicou uma lista de países nem um calendário detalhado para a distribuição.
Um espaço para gerir temas de interesse
Your Algorithm reúne os temas que o Facebook associa ao utilizador e deixa acrescentar ou remover interesses diretamente. A área pode surgir no menu de três pontos das publicações, onde também ficam mais acessíveis as opções “Interessado” e “Não interessado”.
Depois de uma dessas escolhas, o Facebook poderá fazer perguntas adicionais. O utilizador pode explicar por palavras próprias o que apreciou ou o que prefere evitar, dando ao sistema mais contexto do que um simples botão positivo ou negativo.
Esta abordagem aproxima o Facebook de outras plataformas da Meta. O Instagram recebeu uma ferramenta com o mesmo nome e o Threads já permite dirigir pedidos ao sistema através do Dear Algo. Também existe uma mudança semelhante fora do grupo: o Google Discover passou a aceitar instruções escritas para personalizar o feed.
A inteligência artificial interpreta os pedidos
A alteração usa grandes modelos de linguagem para compreender interesses, contexto e intenção. Na prática, a inteligência artificial não cria necessariamente as publicações apresentadas; ajuda o sistema de recomendações a interpretar frases livres e a relacioná-las com os temas existentes.
A Meta diz que o ajuste pode acontecer durante a mesma sessão. Se alguém pedir mais conteúdos sobre fotografia de rua e menos vídeos de um campeonato específico, o Feed e os Reels deverão começar a refletir essas preferências sem esperar por uma longa sequência de interações.
A função não substitui todos os restantes sinais. O Facebook continuará a considerar ações como gostos, comentários, visualizações e partilhas, entre muitos outros dados. A empresa também não explicou quanto peso terá uma instrução escrita quando entra em conflito com o histórico de utilização.
O tema principal desta novidade é o controlo do Feed, não a inteligência artificial em si. Os modelos funcionam como a camada que traduz as palavras do utilizador para o sistema de classificação da plataforma.
O que continua por esclarecer
O anúncio não indica se as instruções dadas ao Your Algorithm influenciam os anúncios apresentados, nem durante quanto tempo cada preferência ficará guardada. Também não esclarece se será possível excluir completamente um tema ou apenas reduzir a frequência com que aparece.
Estes limites serão importantes para avaliar a diferença entre orientar e controlar verdadeiramente o algoritmo. Uma resposta imediata pode melhorar a experiência, mas não garante que todas as recomendações passem a obedecer literalmente ao pedido.
Para os utilizadores, a mudança torna visível uma parte do processo que antes funcionava sobretudo por inferência. Em vez de esperar que o Facebook conclua um interesse a partir do comportamento, passa a existir um canal direto para corrigir essa leitura.
A utilidade real dependerá da disponibilidade em cada conta e da consistência das respostas ao longo do tempo. Ainda assim, a possibilidade de dizer ao Facebook, com palavras próprias, o que se pretende encontrar no Feed e nos Reels representa uma alteração concreta na relação entre o utilizador e o sistema de recomendações.
Fontes: Meta · The Verge · TechCrunch










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