Uma falha de energia no centro de dados do Norte dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) condicionou hospitais e centros de saúde em todo o país nesta segunda-feira, 19 de outubro. Durante várias horas, profissionais ficaram sem acesso a processos clínicos e à prescrição eletrónica, o que levou ao adiamento de consultas e dificultou a emissão de receitas.
A SPMS confirmou que ocorreram duas interrupções sucessivas. A primeira foi resolvida de imediato, mas a segunda tornou indisponíveis vários sistemas que apoiam o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS). A entidade atribuiu o incidente a uma falha elétrica e não indicou qualquer relação com um ciberataque.
Uma interrupção com efeito nacional
Os primeiros constrangimentos surgiram cerca das 10h00. Médicos ouvidos pela Renascença, pelo Diário de Notícias e por outras publicações relataram falta de acesso a registos clínicos, medicação habitual, resultados de exames e ferramentas de prescrição. A Federação Nacional dos Médicos recebeu informações de várias unidades locais de saúde, incluindo São João, Matosinhos e Médio Ave.
Na prática, o impacto não se limitou ao trabalho interno. Sem a informação clínica disponível, algumas consultas, exames e tratamentos foram suspensos ou adiados. Houve também dificuldades na emissão de receitas eletrónicas, uma função da qual dependem médicos, farmácias e utentes.
A dimensão exata do incidente ainda não foi quantificada. As fontes ouvidas por diferentes órgãos de comunicação social falaram em milhares de utentes prejudicados, mas a SPMS não publicou um balanço nacional de consultas ou prescrições afetadas. O que está confirmado é a abrangência nacional dos constrangimentos e a indisponibilidade de sistemas centrais durante a manhã.
Serviços recuperaram durante a tarde
A recuperação começou antes do meio-dia. Segundo a SPMS, alguns sistemas de apoio aos centros de saúde e hospitais já estavam novamente disponíveis por volta das 12h00. A entidade informou mais tarde que, perto das 15h00, praticamente todos os serviços tinham sido repostos, incluindo o Registo Nacional de Utentes e a Prescrição Eletrónica Médica.
O restabelecimento não apaga as consequências para quem tinha atendimento marcado durante a falha. Relatos recolhidos pelo Observador e por outras publicações indicam que alguns utentes foram enviados para casa, enquanto profissionais recorreram a procedimentos em papel ou ficaram limitados na prestação de cuidados.
A SPMS explicou ainda que o episódio desta segunda-feira teve uma causa diferente da interrupção registada em junho. A identificação de uma falha de energia é relevante porque afasta, até ao momento, a hipótese de ataque informático, mas também chama a atenção para a dependência dos cuidados de saúde de uma infraestrutura técnica central.
Nova infraestrutura promete redundância
A entidade prevê concluir até ao final de 2026 uma nova infraestrutura financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência. O objetivo é garantir redundância em tempo real dos principais sistemas, permitindo que uma plataforma alternativa continue a funcionar se o centro de dados principal falhar.
A SPMS acrescentou que o centro de dados atual tem recebido melhorias e que a arquitetura energética deverá ser reformulada. Não foi apresentada uma data concreta para essa alteração.
Para os utentes, o incidente mostrou um efeito simples e imediato da digitalização: quando os sistemas centrais deixam de responder, tarefas tão comuns como consultar antecedentes ou emitir uma receita podem parar em várias unidades ao mesmo tempo. Com os serviços praticamente normalizados ao fim da tarde, a questão seguinte será perceber se as medidas anunciadas conseguem evitar uma repetição com a mesma escala.










Deixa a tua comentário