fbpx
Telemóvel sobre uma mesa de madeira mostra o logótipo do Gmail no ecrã.

Google pode usar dados ligados do Gmail e Fotos em anúncios

A Google alterou a forma como descreve a utilização de conteúdo guardado no Gmail, Google Drive e Google Fotos para publicidade. Desde 16 de outubro, a política de privacidade admite que esses dados possam contribuir para anúncios personalizados quando o utilizador decide ligá-los a outros serviços da empresa que suportam personalização.

A mudança não significa que todas as mensagens, ficheiros ou fotografias sejam usados automaticamente para escolher anúncios. A condição é a existência de uma ligação autorizada pelo utilizador, como acontece em funcionalidades que recorrem a informação pessoal para responder a perguntas ou apresentar recomendações mais adequadas.

A exceção entrou na política de privacidade

A versão atual mantém a regra de que a Google não mostra anúncios personalizados com base em conteúdo do Drive, Gmail ou Fotos. Acrescenta, porém, uma exceção: isso pode acontecer quando a pessoa escolhe disponibilizar dados desses serviços a outros produtos Google compatíveis com publicidade personalizada.

É uma diferença importante porque a mesma autorização pode servir dois objetivos. Por um lado, permite que uma funcionalidade encontre, por exemplo, uma reserva numa mensagem ou reconheça o contexto de uma fotografia. Por outro, esse contexto pode passar a influenciar a seleção de anúncios apresentados noutros serviços.

As funcionalidades abrangidas e a sua disponibilidade variam consoante a conta, o produto e a região. Por isso, a alteração da política não confirma que todas as opções de Personal Intelligence estejam disponíveis em Portugal ou que apareçam ao mesmo tempo para todos os utilizadores.

Os anunciantes não recebem acesso direto às mensagens

Segundo a Google, os anunciantes não obtêm acesso direto à caixa de correio, aos ficheiros ou às fotografias. Também não recebem dados que identifiquem diretamente a pessoa, como o nome ou o endereço de email, através deste processo. A empresa usa sinais de personalização para decidir quais os anúncios que podem ser mais relevantes.

A política exclui ainda categorias sensíveis da personalização publicitária, incluindo saúde, religião, raça e orientação sexual. Estas limitações reduzem o âmbito da mudança, mas não anulam a questão central: informação criada para uso pessoal pode passar a ter uma função adicional quando é ligada a serviços com publicidade.

A alteração também não equivale a colocar publicidade dentro do Gmail ou do Gemini com base em cada mensagem. O que muda é a linguagem da política sobre os dados que podem alimentar a personalização de anúncios em serviços Google elegíveis.

As ligações e a publicidade têm controlos distintos

A Google permite gerir as aplicações de conteúdo ligadas e a personalização da Pesquisa nas definições da conta. Desligar Gmail, Drive ou Fotos de uma funcionalidade impede novos acessos por essa via. No entanto, informação já guardada no histórico dos serviços pode exigir eliminação separada, dependendo da configuração utilizada.

As preferências de anúncios personalizados também podem ser alteradas na central de anúncios. São controlos relacionados, mas não são necessariamente o mesmo interruptor: retirar uma ligação de conteúdo limita a origem dos dados, enquanto desativar anúncios personalizados muda a forma como a publicidade é escolhida.

Para o utilizador, a decisão passa por pesar conveniência e privacidade. Ligar dados pessoais pode tornar respostas e recomendações mais úteis, mas a política agora deixa explícito que essa escolha também pode influenciar publicidade. A abordagem mais clara é verificar que serviços estão ligados quando a opção surge e escolher separadamente o nível de personalização pretendido.