A E Ink apresentou o Kaleido 4, uma nova geração de ecrãs de papel eletrónico a cores que promete atacar três limitações conhecidas deste tipo de dispositivo: imagens pouco vivas, fundos acinzentados e movimentos lentos. A tecnologia estreia-se no bloco de notas digital Hanvon M10C II, destinado inicialmente ao mercado chinês.
Para quem usa um e-reader apenas para romances, a mudança pode parecer discreta. O interesse aumenta em banda desenhada, manuais, revistas, documentos com gráficos e anotações, onde a cor e a rapidez têm um peso maior na experiência.
Mais cor sem abandonar a lógica do papel eletrónico
O Kaleido 4 mantém a abordagem da geração anterior: um filtro de cor colocado sobre um painel de tinta eletrónica a preto e branco. Esta solução consome pouca energia e continua legível sob luz forte, mas tem uma paleta e uma resolução de cor muito inferiores às de um ecrã LCD ou OLED.
Segundo a E Ink, o novo painel duplica o volume da gama de cores, melhora o contraste em 50% e aumenta a refletância do branco em 15%. O resultado esperado é um fundo menos escuro e imagens mais intensas. Estes valores são medições do fabricante e ainda precisam de testes independentes em produtos finais.
A expressão “duplica a gama” também não significa duplicar o número de cores disponíveis. O Kaleido 4 continua limitado a 4096 cores, segundo a informação divulgada, muito longe dos milhões apresentados por telemóveis e tablets convencionais. A promessa está na forma como essas cores ocupam o espaço visível, não numa transformação do e-reader num tablet tradicional.
O salto mais curioso está no movimento
A nova estrutura com transístores de óxido permite atualizar a imagem mais depressa. A E Ink anuncia vídeo até 18 fotogramas por segundo, além de navegação e passagem de páginas mais fluidas. No M10C II, a empresa e a Hanvon apontam para uma melhoria de 27% nessas operações.
Dezoito fotogramas por segundo continuam abaixo dos 60 Hz comuns num tablet. O objetivo não é competir com um iPad para ver filmes, mas reduzir o arrastamento e as pausas que se notam ao deslocar uma página, ampliar um PDF ou usar aplicações num equipamento de tinta eletrónica.
O primeiro produto combina o painel com uma superfície de vidro microgravada, uma caneta sem bateria com 8192 níveis de pressão e ferramentas de leitura, escrita e reconhecimento de texto. A Hanvon ainda não confirmou preço ou lançamento fora da China.
Kindle, Kobo e Boox ainda não anunciaram modelos
A tecnologia tem potencial para chegar a marcas conhecidas, porque o Kaleido 3 já é usado em leitores da Kobo, PocketBook e Boox, enquanto a Amazon utiliza uma versão personalizada no Kindle Colorsoft. Contudo, nenhuma destas empresas anunciou um modelo com Kaleido 4.
Também faltam dados importantes, como a resolução de cor do novo painel e o impacto real na autonomia. Por isso, o anúncio é um avanço tecnológico confirmado, não uma recomendação para adiar uma compra. Quem procura um e-reader a cores hoje continua a escolher entre produtos da geração atual; o Kaleido 4 mostra sobretudo como esses equipamentos podem evoluir nos próximos lançamentos.










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