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Trotinetes e bicicletas partilhadas estacionadas junto ao rio Tejo, em Lisboa.

Lisboa quer retirar trotinetes partilhadas até janeiro

A Câmara Municipal de Lisboa quer retirar das ruas as trotinetes partilhadas operadas por Lime, Bolt e Bird até ao final de janeiro de 2027. A intenção foi confirmada pelo vice-presidente Gonçalo Reis, mas ainda depende de uma proposta que será votada numa reunião extraordinária do executivo municipal a 21 de outubro.

Para quem usa estes serviços através de aplicações, a mudança não será imediata. As trotinetes continuam disponíveis enquanto decorrem a decisão política, a notificação dos operadores e os prazos previstos. O calendário apresentado pela autarquia aponta para uma saída faseada, não para um bloqueio das aplicações no dia da votação.

A proposta ainda precisa de aprovação

O executivo pretende resolver unilateralmente, por razões de interesse público, a parte dos acordos de colaboração relativa às trotinetes. Se a proposta for aprovada, Lime, Bolt e Bird serão notificadas e terão um período de audiência prévia de dez dias para responder.

A Câmara prevê concluir a notificação definitiva em novembro. A partir daí, os operadores terão 60 dias para remover os veículos, o que coloca o fim do serviço no final de janeiro. Este é o objetivo anunciado pela autarquia, não uma data já garantida: o processo pode depender da votação, das notificações e de eventuais reações das empresas.

A medida refere-se ao serviço de trotinetes partilhadas em Lisboa. A informação divulgada não cria uma proibição nacional para todas as trotinetes privadas, nem afeta automaticamente outras cidades portuguesas.

Regras anteriores não resolveram o problema

Lisboa já tinha limitado a velocidade máxima a 20 km/h, criado zonas de estacionamento obrigatório e definido áreas onde a circulação ou o estacionamento são restringidos. Estas regras são integradas nas aplicações dos operadores através de georreferenciação, para condicionar o local onde uma viagem pode terminar.

Segundo a nota do gabinete de Carlos Moedas citada pela Lusa, a autarquia considera que a limitação da frota, as zonas de interdição, os lugares próprios, os limites de velocidade e a fiscalização não produziram resultados suficientes. O presidente da Câmara apontou a circulação em passeios e em contramão, o uso por duas pessoas e o estacionamento indevido como razões para mudar de estratégia.

Gonçalo Reis afirmou ao Jornal Económico que os serviços municipais removem cerca de 1.200 trotinetes mal estacionadas por mês. Citou ainda dados do INEM segundo os quais os acidentes com transporte hospitalar em Lisboa subiram de 184 em 2023 para 267 em 2025. Estes números fazem parte da justificação apresentada pelo município e não significam que todos os incidentes tenham a mesma gravidade ou causa.

Bicicletas partilhadas devem continuar

A resolução dos acordos deverá abranger as trotinetes, mas manter a colaboração com os operadores na área das bicicletas partilhadas. A Câmara diz estar disponível para reforçar essa oferta e continuará também com o sistema municipal GIRA. Ainda não foram anunciados novos números de bicicletas nem um calendário de expansão.

Em paralelo, o Automóvel Club de Portugal prepara a entrega de cerca de 20 mil assinaturas para promover um referendo municipal sobre a continuidade das trotinetes. Esse processo segue pela Assembleia Municipal e é distinto da proposta que o executivo leva a votação no dia 21.

Para os utilizadores, a consequência prática só deverá tornar-se visível após a aprovação e as notificações. Até lá, as aplicações continuam a mostrar os veículos disponíveis e as regras atuais de circulação e estacionamento mantêm-se. Se o calendário municipal for cumprido, a principal mudança chegará no início de 2027: Lisboa deixará de ter uma rede de trotinetes partilhadas, enquanto as bicicletas permanecem como alternativa de mobilidade suave.

Fernando Carrujo
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