Meta corrige gravações sem comando nos Ray-Ban

Óculos Ray-Ban Meta pretos diante do respetivo estojo de carregamento castanho.

A Meta afirma ter corrigido um problema nos óculos Ray-Ban Meta que podia ativar o assistente de voz e guardar conversas sem o utilizador dizer "Hey Meta". Os relatos surgiram esta semana e descrevem gravações de áudio e transcrições guardadas no histórico da aplicação Meta AI, mesmo com a opção de resposta sem frase de ativação desligada.

A empresa confirmou a resolução do erro ao Android Authority, mas não explicou a causa, quantos equipamentos foram afetados nem que versões de software receberam a correção. A informação disponível exige, por isso, distinguir um problema confirmado de uma falha generalizada em todos os óculos.

O que os utilizadores relataram

O caso começou com relatos de proprietários que viram interações inesperadas no histórico da Meta AI. Um utilizador afirmou ter observado o comportamento em três pares de óculos de segunda e terceira geração. Segundo o relato, conversas normais foram registadas sem a frase de comando e apareceram depois como ficheiros de áudio e texto.

Outros utilizadores descreveram ativações semelhantes, mas o Android Authority não conseguiu reproduzir o problema nos seus próprios testes. A existência do erro foi reconhecida pela Meta, embora a dimensão permaneça desconhecida. Não há dados públicos que permitam concluir que todos os modelos, países ou versões de firmware foram afetados.

A situação é especialmente sensível porque estes óculos usam microfones para responder a comandos de voz. O indicador exterior está associado sobretudo à câmara, enquanto uma ativação de áudio inesperada pode ser menos evidente para quem está perto do utilizador.

A correção deixa perguntas por responder

A resposta da Meta foi curta: a empresa disse que o problema estava resolvido e recordou que os utilizadores podem consultar, rever e apagar os registos de voz das interações com a Meta AI. A sua página de privacidade confirma que estas gravações podem ser eliminadas e que, depois disso, deixam de ser usadas em futuros processos de treino.

Ainda não se sabe o que desencadeava as ativações, durante quanto tempo o erro esteve presente ou se a correção foi aplicada no servidor, na aplicação ou através de uma atualização dos óculos. Também não foi divulgado se as conversas reportadas chegaram aos servidores da empresa, para além de aparecerem no histórico da aplicação.

Estas lacunas não anulam a correção, mas limitam o que pode ser afirmado. O caso resulta de relatos concretos e de uma confirmação da Meta, não de uma auditoria independente a toda a gama.

O tema ganha peso com a chegada a Portugal

O incidente surge poucos dias antes do lançamento dos óculos Meta em Portugal, marcado para 19 de outubro. A oferta nacional inclui modelos Ray-Ban e Oakley com áudio, câmara e Meta AI em português europeu, consoante a versão.

Para quem já utiliza os Ray-Ban Meta, o sinal mais útil é o histórico de voz da aplicação: interações que não foram iniciadas deliberadamente merecem ser revistas e eliminadas. Desativar temporariamente os controlos de voz também pode ser uma precaução razoável enquanto se confirma que o software está atualizado.

A Meta diz que o erro já foi corrigido. Ainda assim, a falta de informação sobre a origem e o alcance deixa uma questão importante para um produto usado no rosto e preparado para ouvir comandos: uma correção técnica resolve o comportamento, mas a confiança depende também de explicar claramente o que aconteceu.

Crédito da imagem: CCadio/Wikimedia Commons, CC BY 4.0; fotografia recortada.

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