O Ubuntu 26.10 ficou disponível a 15 de outubro com uma novidade pouco habitual num sistema operativo para computadores: ditado por voz processado localmente. A função chama-se Myna e permite falar para qualquer campo de texto sem enviar o áudio para um serviço na Internet.
A proposta interessa tanto a quem prefere ditar texto como a pessoas que dependem de tecnologias de acessibilidade. Contudo, a versão atual é uma pré-visualização opcional. Não vem instalada por defeito e ainda pode apresentar falhas ou mudar antes de ser considerada estável.
Ditado funciona no próprio computador
O Myna é ativado por um atalho de teclado. Enquanto o utilizador fala, o áudio é convertido em texto e inserido na aplicação que estiver em foco, como um navegador, processador de texto, caixa de pesquisa ou terminal.
A Canonical afirma que o reconhecimento decorre no computador. Depois de o modelo necessário ser descarregado, a transcrição não exige ligação à Internet, o áudio é processado em memória e descartado, sem ser carregado para servidores externos. A função suporta motores como Parakeet, Whisper e FunASR, com diferenças de idiomas, precisão e requisitos de hardware.
Esta proteção aplica-se ao reconhecimento de voz. O texto resultante passa depois para a aplicação escolhida, que poderá guardá-lo ou transmiti-lo segundo as suas próprias regras. A distinção evita tratar "processamento local" como uma garantia de que nenhuma informação sairá alguma vez do computador.
Myna ainda não é um assistente completo
Apesar de algumas descrições o apresentarem como assistente, o Myna lançado agora está concentrado no ditado. A documentação inicial exclui comandos para controlar o ambiente de trabalho, tradução automática e deteção automática de idioma. O objetivo é começar por uma tarefa simples e recolher experiências dos utilizadores.
A pré-visualização pode ser testada no Ubuntu 24.04 LTS, 26.04 LTS e 26.10, em computadores compatíveis com a arquitetura AMD64, usando GNOME sobre Wayland. A aceleração por placas NVIDIA é suportada em alguns motores, mas não é obrigatória para todas as configurações.
Esta abordagem também distingue o projeto de ferramentas de voz dependentes da nuvem. O preço dessa autonomia é o espaço necessário para os modelos e um desempenho que varia conforme o processador, a placa gráfica, o idioma e o motor selecionado.
Ubuntu 26.10 é uma versão de transição
O novo sistema inclui ainda GNOME 51, melhorias de desempenho e de gestão de monitores, uma página dedicada a controladores gráficos no App Center e instalação de codecs multimédia quando são necessários. A adoção dos utilitários centrais escritos em Rust também ficou concluída.
O Ubuntu 26.10 não é uma versão LTS, ou seja, de suporte prolongado. Receberá atualizações durante nove meses, até julho de 2027. Para quem procura estabilidade durante vários anos, o Ubuntu 26.04 LTS continua a ser a referência, e o Myna pode ser instalado também nessa edição.
O lançamento chega numa altura em que o ambiente Linux começa a receber mais aplicações dirigidas ao público geral. Um exemplo recente é o novo Epic Games Launcher em Preview para Linux. O ditado local do Myna reforça essa evolução, mas deve ser visto como tecnologia em teste e não como uma função acabada.
Crédito da imagem: Canonical/Wikimedia Commons, GPL v2 ou posterior; captura do Ubuntu 26.04 LTS redimensionada.
