Uma campanha de espionagem está a usar componentes adulterados de sites de filmes e banda desenhada para atacar iPhones com versões antigas do iOS. A investigação da Socket, publicada a 31 de agosto e noticiada pelo The Hacker News a 1 de setembro, identificou 13 pacotes maliciosos distribuídos através do Packagist, um repositório de software usado por programadores.
Para o visitante, o perigo não começa necessariamente com uma aplicação instalada no telemóvel. Nos sites afetados, abrir uma página no Safari pode desencadear uma sequência de ataques contra falhas já conhecidas. A análise aponta sobretudo para equipamentos que ficaram no iOS 18.4 até ao 18.6.x, não para um novo ataque capaz de ultrapassar todas as atualizações atuais.
O código chega ao telemóvel através do site
Os pacotes apresentam-se como temas para plataformas usadas em sites vietnamitas de filmes e banda desenhada. Ao incorporá-los, o responsável pelo site pode acabar por servir código malicioso aos visitantes sem se aperceber. A campanha também inclui redirecionamentos para jogos de azar e fraude publicitária, mas o ramo dirigido ao iPhone vai mais longe.
Segundo a Socket, o programa de espionagem consegue recolher informações como mensagens, fotografias, contactos, palavras-passe de Wi-Fi e dados guardados no porta-chaves do sistema. Uma versão redistribuída em agosto acrescentou mecanismos para procurar material de recuperação de carteiras de criptomoedas. São capacidades identificadas na análise do código; o relatório não quantifica o total de pessoas afetadas nem demonstra uma campanha dirigida a Portugal.
O The Hacker News confirmou junto do investigador que a Apple considerava já corrigida uma das falhas usadas para sair das proteções do sistema. A existência de correções é a distinção central: os atacantes estão a aproveitar dispositivos que não as receberam, em vez de apresentar uma vulnerabilidade nova e ainda sem solução.
Uma correção antiga continua a fazer diferença
Entre os problemas explorados está a vulnerabilidade CVE-2025-43529, no WebKit, o motor que processa conteúdo web. Nas notas de segurança do iOS 26.2, a Apple confirma a correção e explica que conteúdo preparado de forma maliciosa poderia permitir executar código no dispositivo.
A fabricante refere nesse boletim relatos de exploração contra pessoas especificamente selecionadas em versões anteriores ao iOS 26. Esse aviso não identifica, por si só, a campanha agora descrita pela Socket. Serve para confirmar que a falha é real e foi corrigida, sem transformar ataques anteriores em prova de novas vítimas.
Também não basta olhar para o modelo do iPhone para concluir que está vulnerável. A versão instalada e as correções recebidas são decisivas. A recomendação prática é instalar a atualização mais recente disponibilizada para o equipamento, não procurar deliberadamente uma versão antiga apenas porque é mencionada num boletim.
O que verificar no iPhone
Abra Definições, entre em Geral e escolha Atualização de software. Aí pode consultar a versão instalada e verificar se existe uma atualização disponível. A Apple recomenda fazer primeiro uma cópia de segurança, ligar o dispositivo à corrente e usar uma ligação Wi-Fi para atualizar sem fios.
Se não surgir a atualização esperada, o suporte da Apple explica também como atualizar através de um computador. Evite instalar supostas correções oferecidas por páginas de streaming ou anúncios: use os mecanismos oficiais do dispositivo. Para quem gere um site com os temas identificados, atualizar o próprio telemóvel não resolve o problema do servidor; é necessário rever os componentes instalados e seguir os indicadores publicados pela Socket.
Fontes: Socket · The Hacker News · Apple Security · Suporte Apple







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