O mercado de PCs encolheu com força no terceiro trimestre de 2026, mas o dado mais importante para quem pretende comprar um computador não é apenas a queda nas remessas. É o desaparecimento gradual das configurações mais acessíveis, pressionadas pelo aumento da memória, do armazenamento e de outros componentes.
Segundo dados preliminares da Counterpoint Research, os fabricantes enviaram 57 milhões de PCs no período, 21% menos do que um ano antes. A consultoria atribui a retração aos custos elevados de memória e de outros componentes, que aumentaram os preços e reduziram a procura. O efeito não aparece apenas nas etiquetas: também muda quais configurações chegam às lojas.
A queda é de remessas, não de computadores em uso
O número mede unidades enviadas pelos fabricantes para os canais de venda. Ele não significa que 21% dos consumidores abandonaram o computador, nem corresponde diretamente às vendas finais no varejo.
A comparação anual também exige cautela. O terceiro trimestre de 2025 teve compras antecipadas ligadas ao fim do suporte regular do Windows 10 e ajustes de inventário relacionados a tarifas. Essa base elevada torna a queda de 2026 mais acentuada.
Ainda assim, o movimento é consistente entre diferentes levantamentos: preços maiores reduzem a procura, enquanto fabricantes e lojas evitam acumular equipamentos que podem demorar a vender.
Por que memória e armazenamento pesam tanto
A RAM usa chips DRAM, enquanto os SSDs dependem de memória NAND. São componentes diferentes, mas ambos disputam capacidade de produção e investimento com o mercado de servidores e infraestrutura de inteligência artificial.
Quando os custos sobem, uma fabricante de computadores tem poucas opções: aumentar o preço, absorver parte da alta, reduzir a margem ou alterar a configuração. Na prática, a combinação costuma aparecer como preços maiores, menos armazenamento, menos memória ou linhas de entrada mais curtas.
Processadores e outros componentes também ficaram mais caros. Por isso, chamar o problema apenas de “crise da RAM” simplifica demais o cenário.
O que muda na faixa de entrada
A Counterpoint afirma que as marcas passaram a priorizar configurações capazes de absorver melhor a inflação de componentes. Isso favorece modelos mais caros e reduz o espaço para computadores básicos, que já trabalham com margens menores.
Também há sinais de retorno a tecnologias antigas para controlar o preço, como memória DDR4 e placas de vídeo com 4 GB. Essa estratégia não torna o produto automaticamente ruim, mas aumenta a importância de comparar a configuração completa, e não apenas o processador ou o desconto anunciado.
A pressão já aparece em outras categorias. O Mundo Smart mostrou anteriormente por que placas gráficas econômicas podem ficar mais escassas, outro efeito de fabricantes priorizarem produtos com maior margem.
Vale a pena esperar para comprar?
Não existe uma resposta universal. A Counterpoint projeta nova queda nas remessas no quarto trimestre e um mercado praticamente estável em 2027, mas uma previsão de mercado não garante que o preço de um modelo específico vai subir ou cair no Brasil ou em Portugal.
Se o computador atual ainda atende às necessidades, adiar a compra preserva opções. Se a troca é necessária, vale comparar:
- quantidade de RAM e possibilidade de expansão;
- capacidade do SSD e presença de um segundo slot;
- geração do processador e desempenho adequado ao uso real;
- qualidade da tela, bateria, portas e garantia;
- preço histórico do modelo, quando disponível.
Um notebook barato com memória soldada e armazenamento limitado pode sair caro se precisar ser substituído cedo. Por outro lado, pagar por recursos que não serão usados também não resolve o problema.
O que acompanhar nos próximos meses
O sinal mais relevante será a disponibilidade de configurações de entrada. Se os fabricantes continuarem concentrando componentes em modelos premium, promoções podem existir sem recuperar a variedade anterior.
Também será importante observar a oferta de memória DRAM e NAND, os preços de SSDs e a presença de modelos recondicionados com garantia. Esses fatores podem mudar a decisão de compra antes que os números globais de remessas mostrem uma recuperação.
A queda de 21% não é apenas uma estatística da indústria. Ela revela uma mudança no catálogo: menos máquinas baratas, mais compromissos na ficha técnica e uma necessidade maior de avaliar o custo total antes de comprar.









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